domingo, 9 de junho de 2013

RECEPTIVIDADE

Jo 8:43 Por que não compreendeis a minha linguagem? é porque não podeis ouvir a minha palavra.

Jo 8:45 Mas porque eu digo a verdade, não me credes.

Com efeito, somos muitas vezes aqueles cegos que não querem ver. Fazemos ouvidos de mercador, porque não queremos ouvir.

Muitas pessoas dizem: "eu não estou preparado para o Espiritismo." Mas, em realidade, não querem enfrentar as consequências morais dos ensinamentos Espíritas. 

Allan Kardec, quando estudou os fenômenos das mesas girantes, as manifestações de efeitos físicos que ocorriam em toda a Europa, à época, de imediato procurou extrair daqueles fatos as suas consequências morais. Se os chamados mortos se comunicavam, então o Espírito sobrevivia à morte do corpo físico. Se a sobrevivência era uma realidade, a situação do Espírito nesta outra vida haveria de depender do modo como ela viveu aqui na Terra. 

Fica, então, claro que a linguagem de Jesus é acessível a todos, desde que haja boa-vontade. O Evangelho está ao alcance do todos, do analfabeto ao doutor. Mas, para compreendê-lo, é preciso estar disposto a "ouvi-lo". 

É por isso que a prática é parte imprescindível do Estudo do Evangelho.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

O EXEMPLO DE JESUS


Jesus caminhou na Terra como servidor. “Não passou entre os homens como quem impõe”. “A prática foi o seu modo de convencer” (Emmanuel).

Ele percorria todas as cidades e aldeias não apenas “ensinando nas sinagogas e pregando o evangelho do reino” (Mt 9:35). Também atendia prontamente a todos que o procuravam e curava “toda sorte de doenças e enfermidades”.

Encontrando a humilde sogra de Pedro de cama e com febre, “tocou-lhe a mão, e a febre a deixou”.

Procurado por um centurião, um representante do dominador romano, cujo criado jazia em casa, paralítico e horrivelmente atormentado, Ele, de imediato, responde: “Eu irei e o curarei”.

De outra vez, chegou um chefe da sinagoga, dizendo que a filha dele acabara de falecer; mas pediu que ele viesse, que impusesse a mão, que ela viveria. “Levantou-se, pois, Jesus, e o foi seguindo, ele e os seus discípulos.” Quando Jesus chegou à casa daquele chefe, entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.

E assim, traziam-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsava os espíritos, e curava todos os enfermos.

Não só exemplificou o trabalho, mas também a conduta.

Quando lhe trouxeram a mulher apanhada em adultério, insistindo para que a julgasse, Ele se absteve. Preferiu o silêncio. Como eles insistiram, disse-lhes: “Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.” Quando ouviram isso, foram saindo, um a um. Então, Jesus perguntou-lhe: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” “Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais.”

Recebendo Judas, que viera para entregá-lo aos judeus, afirma, com bondade e indulgência: “Amigo, a que viestes?” (Mt 26:50)

Do alto do madeiro, o gesto maior, quando pede: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem.”

sábado, 9 de março de 2013

MISERICÓRDIA QUERO, E NÃO SACRIFÍCIO

Estudei hoje essa passagem do Evangelho, que pode ser resumida assim:


“Indo em direção do mar, viu Jesus um publicano conhecido pelo nome de Levi, sentado em seu escritório, e disse-lhe: Segue-me. Ele, levantou-se e abandonando tudo, o seguiu. Mais tarde, esse homem ofereceu a Jesus e aos que o acompanhavam um festim em sua própria casa, onde compareceram muitos outros publicanos e pecadores, que também se sentaram a comer com eles. Diante disso, diziam os fariseus aos discípulos: Porque o vosso Mestre come e bebe com publicanos e pecadores? Ouvindo-os, respondeu-lhes Jesus: Os sãos não têm necessidade de médicos, mas sim os enfermos. Ide, pois, e aprendei o que significam estas palavras: “Misericórdia quero, e não sacrifício”. Porquanto eu vim chamar, não os justos, mas os pecadores à penitência”.



A afirmativa de Jesus, de que não veio para os sãos, mas sim para os enfermos, é fácil de entender. Mas o que ele disse aos fariseus, "misericórdia quero, e não sacrifício" me chamou mais a atenção. Então fiquei pensando: qual a relação entre misericórdia e a atitude de Jesus de comer e beber com publicanos e pecadores?


A princípio, não consegui achar nada mais profundo, mas achei um texto de Rodolfo Caligares, que fala dos escribas e fariseus e nos permite uma melhor compreensão:


Trechos do Artigo extraído do livro "O Sermão da Montanha" - FEB - 7ª Edição - 6/1989.

"Escribas e fariseus eram criaturas extremamente zelosas dos ritos, cerimônias e observâncias instituídas pelo rabinismo judaico. Cumpriam à risca essas exigências secundárias da lei, a que emprestavam grande valor, e, porque Jesus e seus discípulos não lhes davam a mesma consideração e respeito, não se cansavam de censurá-los, apontando-os à execração do povo. 



A religiosidade deles, entretanto, não ia além dessas práticas exteriores


...Por lhes conhecer a hipocrisia, os simulacros de virtude, é que o Mestre, ao iniciar sua interpretação da Lei e dos Profetas, no maravilhoso Sermão da Montanha, foi logo advertindo os que estavam a ouvi-lo: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. (Mateus, 5:20).

Com essas palavras, queria frisar que a justiça perfeita, sem a qual ninguém será admitido nos altos planos da espiritualidade, consiste em “amarmos o próximo tanto quanto a nós mesmos”, mas isso incondicionalmente, sem cogitar de suas falhas, de sua nacionalidade, de sua raça, nem de seu credo religioso, como ele soube querer bem a todos, até mesmo àqueles que, por invencível ignorância, tornaram-se seus inimigos encarniçados. 

Sim, porque amar apenas os bons, os compatrícios, os de nossa cor ou os que comungam de nossa fé, com exclusão dos demais, é fazer distinção entre os filhos de Deus, é faltar com a caridade, e, pois, descumprir a Lei."

Comentário meu: Quando Jesus cita Ozias, dizendo "misericórdia quero, e não sacrifício (ou oferenda, na tradução do Haroldo Dutra)", ele se refere a uma lição do Antigo Testamento cujo sentido os fariseus já deveriam ter aprendido. Eles se fixavam no cumprimento dos sacrifícios, dos ritos, das oferendas, enfim, das práticas exteriores, esquecendo do principal da lei, a justiça, a misericórdia e a fé. Então o Mestre diz a eles: Ide e aprendei, ou seja, vão caminhar e refletir (fórmula rabínica de ensino oral) nessa lição: a misericórdia é o principal da Lei; as práticas exteriores são secundárias.

Os fariseus, nesta passagem, estavam apontando os erros de outras pessoas, como se eles mesmos fossem justos. Recusando-se, como faziam, a comer com gente considerada de má vida, estavam discriminando, fazendo distinção entre os filhos de Deus, e falhando no cumprimento do preceito de amar o próximo. Então Jesus esclarece o erro: não bastam as práticas exteriores; é preciso amar indistintamente.

domingo, 29 de janeiro de 2012

DESOCUPAÇÃO DO PINHEIRINHO: VISÃO ESPÍRITA

Na operação policial de desocupação da área do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), no domingo, 23 de janeiro, a Polícia Militar cumpriu mandado de desocupação, desabrigando de seis mil a nove mil pessoas, conforme a fonte da informação. Todos viram pela TV que houve uso da violência nas remoções, especialmente com crianças, mulheres, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção. Balas de borracha foram utilizadas e bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas onde havia mulheres com crianças e cadeirantes. 

Quando nos deparamos com uma notícia dessas, é muito difícil analisá-la sem a influência das posições políticas de cada um.

A área do Pinheirinho havia sido invadida, por isso muitos aprovam a operação, da forma como ela foi realizada, alegando que os invasores eram criminosos, que desrespeitaram o “sagrado” direito de propriedade.

Leonardo Sakamoto, notável militante dos direitos humanos, questiona, no seu blog: “existe maior atentado contra a dignidade humana que a remoção forçada de pessoas, no campo ou na cidade, que não têm para onde ir?”

E prossegue, de forma irônica; “Adoro quando o governo diz “estávamos apenas cumprindo ordens”, mesmo quando todos sabemos que não havia condições para que a execução dessas ordens fosse feita de forma a respeitar a dignidade da população. Há sempre a possibilidade de dizer “não”, a Constituição garante isso ao poder público.”

Do ponto de vista Espírita, duas palavras dizem tudo: injustiça e iniqüidade.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo (ESE), o Espírito Erasto nos conclama: “Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face dos mundos disseminados pelo Infinito!...lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniquidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra.”

Sabemos que o homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. No mesmo ESE, um Espírito protetor afirma que “os bens da Terra pertencem a Deus, que os distribui a seu grado, não sendo o homem senão o usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente desses bens.”

Aos que justificam a violência da desocupação, dizendo que aquelas famílias erraram primeiro, quando invadiram o terreno, lembramos que “para socorrer e ajudar com êxito, é necessário buscar a compreensão”.

Então, porque eles erraram, torna-se justificada a violência, a desumanidade? Claro que não! E qual teria sido a causa desse erro? Não foi a injustiça social?

Se a justiça dos homens determinou a desocupação, por que não dialogar antes com as famílias e providenciar um novo local para moradia, um destino certo para aqueles irmãos?

Para finalizar, emprestamos do Espírito André Luiz um trecho de uma prece, do seu livro “Os Mensageiros":

Ajudai-nos a compreensão, a fim de que venhamos a perder todo impulso de acusação nas estradas da vida”.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A CINCO MINUTOS DE DEUS

No Plano Espiritual, os Espíritos equilibrados estudam o Evangelho com muito mais profundidade. Talvez isso ocorra porque, estando desencarnados, a consciência desperta amplia os limites do entendimento, favorecendo a compreensão das lições de Jesus. 

Assim, no livro "Em Novos Horizontes", psicografado pelo médium Wagner Gomes da Paixão, o personagem principal, João Lúcio, participa do Culto do Evangelho junto a dois amigos espirituais e afirma que as lições da Boa Nova parecem ter vida própria. No caso, João Lúcio é o pseudônimo de um antigo trabalhador espírita mineiro, de quem tivemos o privilégio de assistir às palestras, que ele algumas vezes ministrava no Centro Espírita Bezerra de Menezes, O Apóstolo do Bem.

As lições do Evangelho, tendo vida própria, são capazes de modificar o nosso íntimo, desde que meditadas e vivenciadas.

A propósito, outro dia sonhei com a seguinte frase, que alguém me dizia: "O Sermão da Montanha está a cinco minutos de Deus!

Achei interessante e plausível esta figura de linguagem. Com efeito, as palavras inesquecíveis do Sermão do Monte, se meditadas, podem sim nos aproximar de Deus, pois são a síntese do ensino de Jesus, e Ele é o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai a Deus, senão por Ele.

Sobre o Sermão da Montanha, Gandhi dizia que, se queimássemos todos os livros do mundo, deixando apenas os capítulos 5 e 6 do Evangelho de Mateus, isso bastaria para os homens!

Esse sonho me fez lembrar dos cabalistas - místicos judeus -, que meditam nas letras do nome de Deus, Javeh, como forma de atingir a iluminação. Eles acreditam que cada letra, palavra, número da Escritura possui um sentido oculto.

E o Sermão da Montanha começa assim: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus"...Mt 5:3

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

GUARDIÃES DA HUMANIDADE

Na revista Reformador deste mês há um artigo interessante, de Marta Moura, no qual ela afirma que "os quinhentos da Galiléia são os guardiães da humanidade terrestre, que têm como missão "o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus Cristo".

Vejam que maravilha: Jesus teria confiado a missão de cristianização da Humanidade a um grupo bem diversificado de Espíritos, aos quais o Cristo apareceu após a crucificação e antes da Ressurreição.

No esoterismo, ouvimos que há sempre um grupo de nove Espíritos reencarnados na Terra (magos), que sustentam a humanidade terrestre nas suas provas. Segundo esse ensinamento, eles seriam pessoas comuns, que vivem quase sem ser notadas.

Nas mensagens Espíritas, aprendemos que, desde a ressurreição de Jesus, não se passou um século sem que um Apóstolo de Jesus estivesse reencarnado na Terra!

Como isso é consolador! Quem seriam eles? Sabemos que Francisco de Assis era João Evangelista, reencarnado (séculos XII e XIII). Allan Kardec (séculos XIV, XV e XIX) era, possivelmente, o apóstolo Pedro ("Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"; "Eis aí o meu Apóstolo" - Evangelho Segundo o Espiritismo). Quem teria sido o apóstolo do século XX? Gandhi, Madre Teresa de Calcutá? Quem é o apóstolo que está ou estará entre nós no século XXI?

Será que um dos quinhentos da Galiléia esteve entre nós, no Movimento Espírita Mineiro?

GUARDIÃES DA HUMANIDADE

Na revista Reformador deste mês há um artigo interessante, de Marta Moura, no qual ela afirma que "os quinhentos da Galiléia são os guardiães da humanidade terrestre, que têm como missão "o serviço glorioso da evangelização das coletividades terrestres, sob a inspiração de Jesus Cristo".

Vejam que maravilha: Jesus teria confiado a missão de cristianização da Humanidade a um grupo bem diversificado de Espíritos, aos quais o Cristo apareceu após a crucificação e antes da Ressurreição.

No esoterismo, ouvimos que há sempre um grupo de nove Espíritos reencarnados na Terra (magos), que sustentam a humanidade terrestre nas suas provas. Segundo esse ensinamento, eles seriam pessoas comuns, que vivem quase sem ser notadas.

Nas mensagens Espíritas, aprendemos que, desde a ressurreição de Jesus, não se passou um século sem que um Apóstolo de Jesus estivesse reencarnado na Terra!

Como isso é consolador! Quem seriam eles? Sabemos que Francisco de Assis era João Evangelista, reencarnado (séculos XII e XIII). Allan Kardec (séculos XIV, XV e XIX) era, possivelmente, o apóstolo Pedro ("Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja"; "Eis aí o meu Apóstolo" - Evangelho Segundo o Espiritismo). Quem teria sido o apóstolo do século XX? Gandhi, Madre Teresa de Calcutá? Quem é o apóstolo que está ou estará entre nós no século XXI?

Será que um dos quinhentos da Galiléia esteve entre nós, no Movimento Espírita Mineiro?

domingo, 22 de janeiro de 2012

O TRABALHO VOLUNTÁRIO

"Na esfera carnal, o maior interesse da alma é a realização de algo útil para o bem de todos, com vistas ao infinito e à Eternidade".
André Luiz

"Não olvides que a caridade é o coração no teu gesto".
Emmanuel

Os estudos Espíritas nos esclarecem que "não viemos ao mundo físico para descanso injustificável, mas para lutar pela nossa melhoria", a despeito de quaisquer impedimentos. Com base nos fundamentos da Doutrina codificada por Allan Kardec, percebemos que é imperativo "entender as obrigações nobres e praticá-las, compreendendo, por fim, a felicidade dos que sabem ser úteis com segurança de fé em Deus e em si mesmos".

Por isso, quando nos tornamos Espíritas, ansiamos pela participação em alguma tarefa, seja na assistência aos sofredores, seja no passe ou na visita fraterna. E como são variadas as oportunidades de trabalho no Movimento Espírita!

Nas visitas fraternas, por exemplo, logo percebemos que fomos com a intenção de doar, mas acabamos recebendo muito mais. Talvez porque, como nos esclarece o espírito Emmanuel, "habitualmente doamos aos companheiros necessitados algo do que nos sobra, deles recebendo muito do que nos falta".

A Campanha do Quilo, por sua vez, eu considero uma verdadeira higiene mental, tanto que, após a tarefa, retornamos leves para o Centro Espírita, mesmo que a sacola esteja vazia. Isto porque é um ato de solidariedade e um exercício de humildade.

No que se refere à solidariedade, aliás, sabemos que vale mais uma frase nossa "vazada em solidariedade e entendimento, para o companheiro que jaz sob o gesto de desânimo, que todos os tesouros amoedados da terra".

Não somente as tarefas Espíritas são gratificantes. Também através do trabalho voluntário, de interesse social e comunitário, é possível ajudar a quem precisa, contribuindo para um mundo mais justo e solidário.

Tudo isso, amigos, antes de dizer que a ASPARMIG - Associação de Apoio aos Parkinsonianos e aos Familiares precisa de apoio, conforme nos disse a Janette Melo Franco, que coordena o grupo. Ela precisa de um espaço para as reuniões e de trabalhadores voluntários.

Quem tiver alguma ideia, envie para o blog da Associação: asparmig.blogspot.com, ou fale conosco, que eu coloco em contato com a Janette.

"Acima de todos os dons, permanece o tesouro do tempo".
Emmanuel

sábado, 21 de janeiro de 2012

TESTEMUNHOS

"Antes de todas estas coisas, porém, lançarão suas mãos sobre vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos até reis e governantes, por causa do meu nome. Isso vos sucederá para testemunho". Lc 21:12 a 13

"Por isso mesmo, aqueles que sofrem de acordo com a vontade de Deus devem confiar sua vida ao seu fiel Criador e praticar o bem." 1 Pedro 4:19

Amélia Rodrigues nos afirma, através da mediunidade de Divaldo Franco, que "cristão sem testemunho é solo árido dominado pela seca e pela morte. O testemunho de qualquer natureza, mesmo aqueles interiores, silenciosos, são a condecoração de quem ama Jesus e resolveu por servi-lo".

Assim, os discípulos de Jesus, após o retorno do Mestre à Espiritualidade, cumpriram o seu ministério com grandeza moral, dando testemunhos que permaneceriam como símbolos de fidelidade e lições permanentes de amor.

Filipe, um dos seus primeiros discípulos, "deixou-se influenciar pelas vozes dos céus, e saiu a divulgar a esperança e a alegria de viver, o amor e o perdão". Foi crucificado em Hierápolis, na Frígia, onde "o seu verbo sedutor iluminou vidas incontáveis". André, o irmão de Pedro, nunca desanimou e prosseguiu no ministério. Foi crucificado na cidade de Sebastópolis, onde viviam etíopes. João, o evangelista, "foi o único que não foi assassinado, havendo morrido idoso".

Segundo Amélia Rodrigues, "ainda hoje, de alguma forma, a fidelidade a Jesus é vista como comportamento patológico, alienação, covardia moral. Os seus servidores não encontram espaço no mundo em que triunfam os equivocados e recebem láureas os criminosos...".

Jesus, porém, prossegue convocando os seus trabalhadores para que permaneçam na Sua seara, onde "os poucos fiéis devem viver em vigília de amor e de perdão, de misericórdia e de compaixão, experienciando a caridade".

O propósito deste artigo, caros leitores, é incentivar cada um aos testemunhos redentores. Se hoje não somos pregados no madeiro, as nossas provas, por vezes, fazem-se tão árduas, que nos sentimos perseguidos por adversários impiedosos. Mas Jesus, na citação de Lucas, afirma que isso nos aconteceria como oportunidade para o testemunho.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Prece Pelos Desencarnados

A gratidão é para mim um dos sentimentos mais belos. Sempre admiro as histórias em que alguém demonstra esse sentimento porque, frequentemente, as pessoas não se lembram dos benefícios que receberam e esquecem os seus benfeitores. A vida, porém, sempre promove os reencontros, em que alguém, outrora beneficiado, tem por sua vez a oportunidade de retribuir.

Lembrando da gratidão, recordo que uma das passagens que mais emocionam na leitura de Nosso Lar é aquela em que André Luiz fica sabendo que algumas pessoas que ele havia atendido gratuitamente em sua clínica médica intercediam em seu favor, através da oração. Essas preces é que haviam possibilitado o seu resgate das regiões sombrias do Umbral.

Assim chegamos ao nosso ponto: por um dever de gratidão, devemos orar em favor dos nossos entes queridos, já desencarnados. Devemos orar pelos nossos mestres, pelos amigos, por aqueles que conhecemos e, de alguma forma, contribuíram para a nossa formação. Devemos orar por todos, é certo, até pelos nossos inimigos ("Orai pelos que vos perseguem..."; "Amai os vossos inimigos").

Não sabemos como os nossos amigos se encontram no Plano Espiritual. Podem estar bem, trabalhando na seara de Jesus; ou podem estar sofrendo torturas morais nas regiões inferiores. Se sofrem, necessitam de um alívio, mesmo que passageiro. Talvez precisem de um resgate, como André Luiz.

No livro "O Céu e o Inferno", de Allan Kardec, há um caso belíssimo, em que um médium ora em favor de um mendigo, que todos pensavam que havia suicidado, pulando em um poço. O Espírito então aparece e diz, através da psicografia: "Eu não suicidei, mas caí naquele poço, e aquilo foi, para mim, o final de uma vida de expiação. Agora que eu estou redimido, sou eu quem vai ajudar você!

Divaldo Franco conta que orava em favor dos suicidas, cujos nomes ele lia no jornal. Um dia, quando sofria muito, um deles apareceu e disse: "Por um tempo muito longo, eu me via sendo esmagado pelo trem, à frente do qual, em um momento de loucura, eu pulei. Isso acontecia repetidas vezes. Até que, um dia, escutei uma voz ao longe dizendo o meu nome, e aquilo me aliviou. Era você que orava em meu favor."

Para os que sofrem, a prece é como uma pequena luz que se acende na escuridão, é sempre um bálsamo que alivia e uma esperança de socorro.

Qualquer que seja a situação espiritual dos nossos amigos desencarnados, oremos por eles.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

VOLTEI !

Ontem voltei ao nosso grupo Espírita, após dois meses impossibilitado de comparecer. Até a fachada me pareceu diferente, mais iluminada. Sem dúvida, emocionei-me por retornar àquele celeiro de bênçãos e reencontrar os sorridentes companheiros, amigos de muitos anos.

O estudo da Eliane Ferraz falava sobre reencarnação e justiça e foi, como sempre, bastante oportuno. Ela é bem-humorada e tem muito conhecimento.

Basta entrar em um templo Espírita e os nossos pensamentos já se modificam, são reajustados. Percebi isso claramente ontem. Passamos a pensar na nossa reforma, pensar na prática do bem. Enquanto estamos ali, refletimos sobre as nossas dificuldades íntimas e formulamos propósitos de melhoria.

Eu ontem pensei, entre outras coisas, na necessidade de ser coerente, de ser a mesma pessoa em todos os ambientes, no Centro Espírita, no Lar, no trabalho.

Os Espíritos nos esclarecem que, enquanto ocorrem as palestras públicas, nos Centros Espíritas, os trabalhadores desencarnados realizam atendimentos junto ao público, aplicam passes e desembaraçam algumas pessoas dos fluidos negativos aos quais estão vinculados. Mesmo para aqueles que estão sofrendo processos de obsessão, a hora da palestra é como um oásis no deserto, é um momento de lucidez, bendita oportunidade de mudar os rumos e refazer os caminhos. Por isso, quando vamos ao Centro, recebemos um belo "pacote" de assistência espiritual.

Que os propósitos novos formulados ontem possam se concretizar, é o que eu peço ao Senhor da vida!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Provas da Sobrevivência da Alma

Provas da sobrevivência da alma nós temos todos os dias; apenas não prestamos atenção. Provas da assistência constante dos bons Espíritos saltam aos nossos olhos, mas, acostumados apenas às vibrações grosseiras da matéria, não conseguimos ver. Provas da existência de Deus não são necessárias, pois quem vê a obra pressente a existência de um Criador.

Como disse alguém uma vez: "se alguém acha que a vida na Terra é obra do acaso, que espalhe centenas de letras ao vento e julgue se elas serão capazes de, ao acaso, juntar-se e formar um poema."

Aos mais incrédulos, Deus concede as provas nas comunicações mediúnicas, provas incontestáveis, que não deixam dúvidas. Talvez seja assim porque nós Espíritas somos aqueles "trabalhadores da última hora", somos daqueles mais recalcitrantes, mais endurecidos. Nesse rol eu me incluo, pois tenho recebido a graça e a responsabilidade de saber, sem nenhuma margem para incerteza, que o Espírito sobrevive à morte do corpo carnal. Tenho recebido provas da realidade do mundo espiritual, e não foram poucas.

Certa vez, quando o nosso grupo Espírita comemorava 50 anos de existência, houve um simpósio sobre mediunidade no sábado, véspera da data festiva. Foi convidado um médium de amplos recursos para participar dos trabalhos, o Wagner Gomes, da cidade de Mário Campos. Ele nunca havia ido ao nosso Centro Espírita. Na data combinada, ali compareceu, acompanhado pelo saudoso Sr. Honório Abreu. Na parte final dos trabalhos, ele iniciou a psicografia de algumas mensagens. Quando foi ler os textos, havia duas mensagens de Espíritos bem conhecidos no Movimento Espírita. Mas havia também uma terceira mensagem. Antes de ler, ele disse: "Esse Espírito eu não conheço". Mas, enquanto ele lia a mensagem para nós, percebemos que havia nela algo de familiar, como se o Espírito fosse alguém muito próximo a nós. Ao final, ele leu o nome: Hélio Petrônio. Poucos o conheciam pelo nome. Quem esclareceu tudo foi o presidente da Casa: "Esse senhor foi quem doou o terreno para a construção do nosso Centro Espírita, há cinquenta anos atrás!"

Não havia possibilidade do médium Wagner conhecer o Sr. Hélio, pois, pouco depois de doar o terreno, ele se mudou definitivamente para o Rio de Janeiro, na década de 50. Esta é ou não uma prova da imortalidade da alma?

sábado, 24 de setembro de 2011

Informação x Conhecimento

Leon Denis, o grande escritor espírita, disse que o médium deve evitar a leitura de jornais, porque este hábito inunda o seu psiquismo de informações que atrapalham o seu processo de comunicação com o mundo invisível. Bem, ele disse isso em seu livro "No Invisível", escrito por volta de 1900! E hoje, quando quase todos adquiriram o hábito de "navegar" na internet e se dedicam a isso durante várias horas do dia? Esse acúmulo de informações colhidas na rede ajuda ou atrapalha o médium? E a pessoa que não é médium ostensiva?

Com efeito, em nossos acessos diários aos grandes portais de informação, é inevitável passar os olhos pelas principais notícias, desde as notícias sobre a economia, passando pelo noticiário policial e, até mesmo, pelos "factóides" criados pelas chamadas celebridades, na ânsia de se manterem na mídia. Esta semana mesmo vi a notícia sobre uma celebridade esportiva, que teria ido jantar com os dois filhos! Um fato corriqueiro para qualquer pessoa, menos para uma celebridade. Isto sem falar nas importantíssimas declarações de famosos e anônimos no Twitter, que chegam diretamente aos smartphones das pessoas.

A professora Geisa Vaz Mendes, da Faculdade de Educação da PUC, declarou que, na atual era em que vivemos, a chamada era da informação, "as informações são voláteis". "É muito importante ressaltar que informação rápida não é conhecimento", disse. Conhecimento depende de uma base sólida para contrapor ideias e ter senso crítico. Sua construção se dá de forma permanente.

De fato, sabemos que informação é diferente de conhecimento. Luckesi (1996) afirma que adquirir conhecimentos não é compreender a realidade retendo informações, mas utilizar-se destas para desvendar o novo e avançar.

Por isso, todos os nossos instrutores sobre mediunidade, a começar por Allan Kardec, são unânimes em recomendar ao médium que estude, que não apenas recolha informações, mas que reflita sobre elas, questione, compare, discuta, para formar uma base sólida de conhecimentos que o capacite a uma atuação equilibrada na seara mediúnica.

Assim, concluímos que a recomendação de Leon Denis, adaptada para os dias de hoje, continua válida. O médium não deve se afastar do mundo, nem se afastar do mundo digital. Porém, é preciso que ele saiba limitar as suas horas de internet. É preciso que ele saiba selecionar as suas leituras na rede. Em suma, quanto menos "lixo" ele acumular no seu campo mental, maiores condições terá de se transformar em um instrumento confiável no intercâmbio mediúnico.

Pois a meta de todo médium deve ser tornar-se um médium seguro, ou seja, aquele em quem se pode confiar.

E, quem não é médium ostensivo, que "coloque as barbas de molho", pois o intercâmbio espiritual não ocorre somente nas salas de reunião mediúnica, mas é de todo dia, de todos os momentos.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Sensibilizando a Nossa Nuvem de Testemunhas

O Espiritismo, na medida em que nos ensina a trabalhar a fé raciocinada, prepara-nos para enfrentar as provas e as adversidades da vida. A pessoa passa a crer porque sabe. Não é mais aquela fé cega, em que o homem aceita os dogmas sem poder questioná-los.

O passado fala alto em nossas vidas. Segundo o Dr. Jorge Andréa, o inconsciente é zona de comando. Por isso, muitas atitudes nossas, aparentemente incompreensíveis, têm a sua origem no inconsciente. Aquele que possui débitos do passado, traz a matriz da culpa no inconsciente; como esta zona do nosso psiquismo comanda, por vezes permitimos a instalação de processos obsessivos em nós, devido ao desejo inconsciente de reparação dos nossos erros pretéritos.

O atormentado de hoje foi o atormentador do passado. Nem por isso, ele merece menor parcela de carinho e assistência de nossa parte. Ao contrário; se percebemos o sofrimento do nosso irmão, ele passa imediatamente a ser nosso próximo. Quem nos afirmaria que Deus, permitindo que tomemos conhecimento da dor de alguém, não o faz para que nós possamos amenizá-la?

Da culpa inconsciente que carregamos, aproveitam-se os adversários do passado, as nossas vítimas de ontem, e iniciam os lamentáveis e injustificáveis processos de vingança.

Porém, mesmo diante de obsessores, a nossa boa conduta é capaz de sensibilizá-los, fazendo com que mudem de atitude. Quantos obsessores não se envergonhavam da própria conduta ante a humildade de Bezerra de Menezes? Quantos perseguidores não se renovavam, observando a vida de Eurípedes Barsanulfo?

O grande Eurípedes, certa vez, foi chamado tarde da noite para um socorro a uma mulher que, prestes a dar a luz, corria risco de vida. Grávida, o bebê se encontrava "virado" e, na zona rural de Sacramento, àquela época, não havia recursos para livrá-la e salvar a criança. Sozinho, partiu para a localidade distante, levando alguns medicamentos, que ele próprio produzia. No caminho, foi abordado por um assaltante. Então Eurípedes disse: "Por favor, preciso socorrer a uma mulher grávida, que necessita de socorro urgente". O salteador então diz: "É minha mulher! Desesperado, sem recursos, vim assaltar, para arranjar algum dinheiro e tentar salvá-la". Dali em diante, aquele homem tornou-se um verdadeiro guarda-costas de Eurípedes Barsanulfo, acompanhando-o sempre nas visitas à zona rural de Sacramento.

Havendo sinceridade nas nossas atitudes, havendo desprendimento, a "nuvem de testemunhas" que nos observa será certamente sensibilizada pelas nossas boas ações. Os bons espíritos simpatizarão conosco, passando a nos auxiliar nas horas mais imprevistas. Já os obsessores estarão moralmente impedidos de "pagar o bem com o mal", pois "Deus não permite que aquele que perdoa seja perseguido".


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Benfeitor Espiritual

Manoel Philomeno de Miranda é um benfeitor espiritual que eu muito admiro. Especializado no estudo das obsessões, atua nas atividades desobsessivas desde a sua reencarnação mais recente, que ocorreu na Bahia, e prossegue trabalhando no Plano Espiritual.

Os seus livros, psicografados por Divaldo Pereira Franco, são valiosos repositórios de conhecimento sobre os processos de obsessão, com ênfase no tratamento dos obsidiados e obsessores e na profilaxia, ou seja, nas medidas preventivas. Destaco três livros.

Seu primeiro livro, editado há quase 40 anos, é um dos mais completos da série: "Nos Bastidores da Obsessão". Esse livro narra o auxílio a uma família, vítima de obsessão coletiva, em um episódio vivido por Manoel quando estava ainda encarnado, em companhia do grande batalhador do Espiritismo baiano, José Petitinga. Por isso é um livro muito original. Nele, as técnicas obsessivas utilizadas pelos irmãos enfermos são detalhadas, com destaque para a hipnose. É um livro para ser estudado por todos os que militam nas reuniões de desobsessão.

O livro "Nas Fronteiras da Loucura" narra os trabalhos de socorro espiritual em uma semana de carnaval, no Rio de Janeiro, e traz interessantes exemplos acerca do funcionamento da Lei de Causa e Efeito. É um livro de leitura obrigatória para todos os Espíritas.

Por fim, o livro "Trilhas de Libertação" narra as peripécias de um médium fracassado, que se permitiu incorrer no crime do "comércio das coisas sagradas". É uma obra-prima. Um dos melhores livros que já li.

Nesse livro, em certo momento, Manoel Miranda pára e contempla as pessoas caminhando nas ruas. Então diz que é imensamente grato aos benfeitores espirituais pelo amparo que prodigalizam à humanidade sofredora! Quando eu li esse trecho, imediatamente pensei: "Mas então, Manoel, você não é também um desse benfeitores? Quantas obras há no mundo quais as suas?

São muito modestos esses benfeitores espirituais!







domingo, 31 de julho de 2011

O homem é quase sempre o obreiro da sua própria infelicidade

"Já nesta vida somos punidos pelas infrações, que cometemos, das leis que regem a existência corpórea, sofrendo os males conseqüentes dessas mesmas infrações e dos nossos próprios excessos. Se, gradativamente, remontarmos à origem do que chamamos as nossas desgraças terrenas, veremos que, na maioria dos casos, elas são a conseqüência de um primeiro afastamento nosso do caminho reto. Desviando-nos deste, enveredamos por outro, mau, e, de conseqüência em conseqüência, caímos na desgraça." O Livro dos Espíritos, Questão 921.

Temos visto com frequência assustadora na mídia as notícias sobre os desfechos trágicos das trajetórias de algumas pessoas, sejam personalidades famosas, sejam anônimos. Relendo esse comentário de Allan Kardec, na questão citada de O Livro dos Espíritos, julguei encontrar as bases para entendermos essas ocorrências.

Se buscarmos as origens das nossas desgraças terrenas, encontraremos o momento em que nos afastamos do caminho reto! Eu sempre digo que, se você tiver uma carreta estacionada e soltar o freio, depois talvez não consiga parar mais.

Mas alguns acham bonita a "vida loka", acham que é libertário se lançar a todos os excessos e que quaisquer conselhos em sentido contrário é algo "careta", reacionário. Os desfechos trágicos, as verdadeiras desgraças que ocorrem nas vidas dessas pessoas mostram a verdade.

Houve falência? Em algum momento a pessoa começou a gastar mais do que ganhava. Overdose? Houve aquele momento, lá atrás, quando a pessoa aceitou experimentar a droga. A pessoa caiu na prostituição? Em certo momento, ela começou a sobrevalorizar os atributos do próprio corpo, depois passou a buscar relações por interesse financeiro e...

Um erro leva ao outro. As opções se nos vão reduzindo e passamos a fazer escolhas forçadas, até o momento da tragédia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Vítimas do Auto-engano

“Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra, às suas paixões?”

“Que se deve pensar daquele que suscita a guerra para proveito seu? Grande culpado é esse e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha causado para satisfazer à sua ambição.”

Busquei essas referências em “O Livro dos Espíritos” para refletir um pouco naquela condição moral de certos tiranos, que já idosos, multimilionários, mesmo assim não abrem mão do poder. O que mais eles buscam? Não estarão dominados pela insatisfação própria de quem se aferra aos bens materiais? Nós sabemos que o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo.

Alguns deles acreditam que são símbolo de revoluções, que lutaram pela liberdade e são amados pelo povo. Será? Acho que se iludem a si mesmos. Nesse caso, vale aquela famosa frase de Madame Roland, quando caminhava para ser guilhotinada pela Revolução Francesa: “Liberdade, liberdade, quantos crimes são cometidos em seu nome!”

Com efeito, o orgulho e o egoísmo são os maiores obstáculos ao progresso moral do homem. Nós demoramos a compreender que além da felicidade que o gozo dos bens terrenos proporciona, uma felicidade maior existe e infinitamente mais duradoura.

Oremos por essas vítimas do auto-engano.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Presença do Sobrenatural

A influência dos Espíritos em nossas vidas é um dos princípios básicos do Espiritismo. Essa influência pode ser sutil, oculta, ou ostensiva, quando os Espíritos atuam na matéria, através dos fenômenos de materialização.

Se um efeito físico ocorre com alguém, isso não quer dizer que aquela pessoa é uma médium de efeitos físicos. O médium pode estar nos arredores, na vizinhança. Assim, uma vez, minha mãe relatou que, estando na cozinha, um copo que estava sobre a pia, ao invés de cair do escorredor, subiu ao mesmo!

Pode ter ocorrido com ela um fenômeno de efeitos físicos. Porém não podemos ter certeza disso sem antes investigar todas as possíveis causas naturais do fenômeno. No caso desse inesperado movimento do copo, reconheço que, dificilmente existirão causas naturais para um movimento contra a lei da gravidade. Se foi, de fato, um fenômeno espírita, isso não quer dizer que ela era uma médium dessa natureza, pois, confome eu disse, o médium poderia estar nas vizinhanças.

Pois bem, certa vez eu viajava de Belo Horizonte para Diamantina e dirigia um veículo muito novo, da empresa na qual trabalhava. Porém, eu corria muito naquele dia. Era muito jovem, sem juízo, e viajava sozinho, o que é sempre tedioso. Resolvi então marcar um minuto no relógio e verificar qual a distância que eu conseguia percorrer naquele minuto! E corria muito! O carro era muito estável e favorecia as altas velocidades. A estrada era deserta. Então fui fazendo isso ao longo da viagem.

Eu marcava o tempo em um relógio automático, desses que, estando no braço, nunca param de funcionar. Todavia, quando eu me aproximava de um trecho especialmente perigoso da rodovia, a região do Morro do Camelinho, cheio de curvas, ocorreu o inesperado: ao olhar para o relógio, o ponteiro de segundos parou, justo no momento em que eu olhava! E o relógio não funcionou mais.

Aviso? Advertência? Efeitos físicos? Creio que sim, mas quem poderá saber...

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Questão de Sintonia

A sintonia mental que sustentamos é sempre uma livre escolha nossa.

Certa vez, um amigo meu, o Cláudio, espírita convicto, passava pela região dos hospitais em Belo Horizonte quando viu um pequeno tumulto. Uma senhora se encontrava caída ao chão, em convulsões e muitos curiosos se encontravam em torno. Ao lado, uma criança de seis ou sete anos pedia socorro. Era a filha dela. Prestativo e experiente, ele, sem dúvida, ajudou inicialmente no socorro à irmã em aflição.

Após a crise, o amigo conversou com a criança e percebeu algo curioso. Apesar da pouca idade, ela sabia o nome completo da mãe e o endereço de casa. Isso era um recurso daquela senhora, porque suas crises eram frequentes e, por vezes, somente a menina estava presente para pedir socorro e encaminhá-la posteriormente de volta ao lar.

Desejando auxiliar, o Cláudio anotou o endereço daquela senhora e prometeu fazer uma visita, com objetivos fraternos: realizar um culto no lar e ministrar alguns esclarecimentos, sob a ótica espírita.

Na semana seguinte, lá se foi o Cláudio, e mais um companheiro, à vista fraterna. A senhora morava em um bairro distante, depois de Venda Nova. A casa era muito simples, mas eles foram bem recebidos.

No culto no lar, que se desenrolou em uma mesinha ao ar livre, a irmã relatou que, frequentemente, passava mal. E mostrou as marcas no corpo das inúmeras quedas nos episódios convulsivos. Disse que, às vezes, quando descia de um ônibus, por exemplo, se o motorista freava bruscamente, ela se irritava e sofria então um ataque epilético.

Subitamente, o imprevisto aconteceu: no meio do culto, uma criança de uma casa vizinha subiu ao muro para apanhar algumas goiabas no quintal da nossa irmã. Ela, vendo a cena, irritou-se de tal maneira que começou a xingar o menino.

Isso bastou para precipitar o ataque epilético, que, graças a Deus, foi debelado pela ação do Cláudio, que rapidamente aplicou-lhe passes dispersivos. Mas foi preciso muita prece e muita fé em Deus para evitar a crise, que não era mais do que a aproximação de um irmãozinho desencarnado. Quando a nossa irmã se irritava, sintonizava com o obsessor, que, assumindo o controle dos seus centros motores, a derrubava ao chão e desencadeava a crise convulsiva, pelo desequilíbrio que lhe era próprio!

No episódio narrado, o sentimento inferior que ela se permitiu, ao ver a criança buscar uma simples goiaba no seu terreno, bastou para possibilitar o acesso do obsessor ao seu psiquismo, com consequências terríveis. Da mesma forma, quando ela se irritava com os motoristas de ônibus, ou com outra pessoa qualquer, o obsessor assumia o controle, através da sintonia mental, e ela passava mal.

Simples assim! Porém complexo como só as obsessões podem ser.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A Certeza da Imortalidade

Nós, os espíritas, temos inúmeras provas da imortalidade da alma. É que os próprios seres que nós amamos vêm nos mostrar que continuam vivos. E fazem isso de inúmeras maneiras, seja através das mensagens psicografadas, seja através de aparições.

Por vezes fazem isso através da psicofonia, quando temos o privilégio de dialogar com eles, em reuniões mediúnicas.

Aprendi que, quando isso acontece, Deus somente o permite por um motivo de certa gravidade; normalmente é um aviso ou uma advertência.

São muito comuns as aparições de pessoas no momento da desencarnação de alguém. Não raro, a própria pessoa vem avisar algum familiar. Outras vezes, o moribundo vê espíritos familiares acercando-se do seu leito, como se viessem buscá-lo. E, de fato, é isso que acontece. Lemos nas mensagens psicografadas por Chico Xavier, de jovens desencarnados, que, normalmente é um avô, avó ou bisavô, que vêm buscá-los. Como isso é consolador, não?

Ter a certeza da sobrevivência da alma é, sem dúvida, uma responsabilidade maior para nós. Se sabemos que somos imortais, quais as conseqüências morais disso? O que mudamos nas nossas vidas, a partir dessa constatação?

Lembramos da Parábola do “Rico e Lázaro” quando o homem rico, estando em tormentos no plano espiritual, pede a Pai Abraão: “mas se alguém for ter com eles (os seus irmãos) dentre os mortos, hão de se arrepender. Replicou-lhe Abraão: se não ouvem a Moisés e aos profetas tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos." E, de fato, alguns, nem se vissem um desencarnado, acreditariam!

Temos, sem dúvida, certeza da vida espiritual, mas quais as mudanças íntimas que realizamos com base nesta fé?

Emmanuel nos diz que se dizemos que temos fé, mas não vivemos em conformidade com esta fé, então ela não é legítima.